Futuro incerto
Depois de quase meio século com Fidel no poder, Cuba acordou nesta terça-feira sem seu líder no comando do país. "É uma sensação muito estranha, despertar pela primeira vez em 47 anos pensando que o homem que liderou a revolução entregou o poder", comentou um morador do bairro de Miramar.
Milhões de cubanos acompanharam na noite de segunda-feira, atônitos, a mensagem que anunciava que Fidel Castro estava se licenciando temporariamente de seu cargo e que seu irmão Raúl assumiria suas funções, apoiado pelos principais quadros do Partido Comunista de Cuba e do Governo.
"Eu não posso inventar boas notícias, porque não seria ético; e se as notícias forem ruins, o único que vai ganhar proveito é o inimigo. Na situação específica de Cuba, devido aos planos do império, meu estado de saúde se converte em um segredo de estado que não pode ser divulgado constantemente; e os compatriotas devem compreender isso." Foi assim que Fidel abriu seu último comunicado em que se dirigiu "ao povo de Cuba e aos amigos do mundo", por escrito. Ele afirma que a situação está estável, mas que a evolução do seu estado de saúde precisa de tempo.
Mas quem é Raul Castro? Em entrevista ao US News, Brian Lattel, autor da única biografia sobre o sucessor, Depois de Fidel, diz que ele encarna muitas das qualidades de lideraça do ex- ditador. Segundo Lattel, Raul, em comparação com o irmão, não tem tanto contato direto com o povo de Cuba, não é um intelectual, não discursa tão bem e tampouco gosta de fazer discursos. Por outro lado ressalta as suas qualidades: "Ele é muito esperto e poderoso. É o melhor organizador do regime, um homem experiente em organização e gestão".
Outro analista americano vê uma perspectiva real de mudança com a troca de comando. Nelson Cunningham, que foi assessor do ex-presidente Bill Clinton para a América Latina, acredita que Raúl Castro será um líder passageiro, por causa da sua avançada idade (75 anos). "Não lhe restarão muitos anos. Inevitavelmente isso iniciará um processo de transição real." Há projeções divergentes a respeito dessa transição de poder. Ela é vista como "uma sucessão de fato" pelo professor Jaime Suchlicki, da Universidade de Miami. Para o pesquisador, o que ocorrerá na ilha é "a sucessão prevista".
Suchlicki acredita que esta seja uma hora "definitivamente difícil" para os opositores do regime tentarem uma mudança institucional no país. "Nesses momentos, os aparatos de segurança do Estado se encontram em alerta e é muito, mas muito difícil para a oposição", disse o professor. "Não vai haver uma mudança radical", garante. A Casa Branca também se pronunciou a respeito, nessa terça-feira, e disse que não há motivos para pensar que o líder cubano esteja morto, nem para estender a mão a seu irmão Raúl, que governa interinamente aquele país. "Não conhecemos o estado de saúde de Fidel Castro.
Não conhecemos os fatos exatos, porque Cuba é uma sociedade fechada", declarou o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow. A polícia e os militares cubanos foram mobilizados e estão à postos pela ilha sob a afirmação de defender a nação contra uma invasão norte-americana. "Na verdade, essas forças estão lá para impedir os cubanos de tomarem as ruas. O governo que se coroa como vencedor na batalha de idéias parece estar preocupado com o fato de as pessoas terem qualquer idéia.", defende o cubano Valentin Pietro, em seu famoso blog no qual tem discutido e criticado o regime.
As relações estreitas de Cuba com a Venezuela de Chávez e com a China também estão em cheque agora que o destino político do país está incerto. Cuba e Venezuela formaram uma conexão produtiva: os venezuelanos fornecem petróleo, aliviando os momentos de escassez de gasolina e melhorando o sistema de transportes público de Cuba, enquanto 20 mil médicos e dentistas cubanos trabalham em zonas pobres de Caracas, o que reforça a popularidade de Chávez. "Fidel Castro pode ter 80 anos, mas continua a tomar medidas estratégicas", diz Phil Peters, do Lexington Institute. A economia cubana cresceu mais de 8% nos últimos 18 meses. A falta de uma informação concreta sobre o estado de saúde de Fidel e de detalhes sobre o governo provisório de Raúl contribuem para o aumento da especulação que se iniciou na noite de segunda. "Não é para menos, o assunto é muito grave. Para que um país como esse produza uma cessão temporal de poder pela primeira vez na história, é porque as condições devem ser ruins", disse um diplomata europeu.
Esta matéria foi apurada no Scrapbook e escrita colaborativamente no Writely pelos alunos do minicurso "Técnicas Avançadas de Jornalismo Online".
Milhões de cubanos acompanharam na noite de segunda-feira, atônitos, a mensagem que anunciava que Fidel Castro estava se licenciando temporariamente de seu cargo e que seu irmão Raúl assumiria suas funções, apoiado pelos principais quadros do Partido Comunista de Cuba e do Governo.
"Eu não posso inventar boas notícias, porque não seria ético; e se as notícias forem ruins, o único que vai ganhar proveito é o inimigo. Na situação específica de Cuba, devido aos planos do império, meu estado de saúde se converte em um segredo de estado que não pode ser divulgado constantemente; e os compatriotas devem compreender isso." Foi assim que Fidel abriu seu último comunicado em que se dirigiu "ao povo de Cuba e aos amigos do mundo", por escrito. Ele afirma que a situação está estável, mas que a evolução do seu estado de saúde precisa de tempo.
Outro analista americano vê uma perspectiva real de mudança com a troca de comando. Nelson Cunningham, que foi assessor do ex-presidente Bill Clinton para a América Latina, acredita que Raúl Castro será um líder passageiro, por causa da sua avançada idade (75 anos). "Não lhe restarão muitos anos. Inevitavelmente isso iniciará um processo de transição real." Há projeções divergentes a respeito dessa transição de poder. Ela é vista como "uma sucessão de fato" pelo professor Jaime Suchlicki, da Universidade de Miami. Para o pesquisador, o que ocorrerá na ilha é "a sucessão prevista".
Suchlicki acredita que esta seja uma hora "definitivamente difícil" para os opositores do regime tentarem uma mudança institucional no país. "Nesses momentos, os aparatos de segurança do Estado se encontram em alerta e é muito, mas muito difícil para a oposição", disse o professor. "Não vai haver uma mudança radical", garante. A Casa Branca também se pronunciou a respeito, nessa terça-feira, e disse que não há motivos para pensar que o líder cubano esteja morto, nem para estender a mão a seu irmão Raúl, que governa interinamente aquele país. "Não conhecemos o estado de saúde de Fidel Castro.
Não conhecemos os fatos exatos, porque Cuba é uma sociedade fechada", declarou o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow. A polícia e os militares cubanos foram mobilizados e estão à postos pela ilha sob a afirmação de defender a nação contra uma invasão norte-americana. "Na verdade, essas forças estão lá para impedir os cubanos de tomarem as ruas. O governo que se coroa como vencedor na batalha de idéias parece estar preocupado com o fato de as pessoas terem qualquer idéia.", defende o cubano Valentin Pietro, em seu famoso blog no qual tem discutido e criticado o regime.
As relações estreitas de Cuba com a Venezuela de Chávez e com a China também estão em cheque agora que o destino político do país está incerto. Cuba e Venezuela formaram uma conexão produtiva: os venezuelanos fornecem petróleo, aliviando os momentos de escassez de gasolina e melhorando o sistema de transportes público de Cuba, enquanto 20 mil médicos e dentistas cubanos trabalham em zonas pobres de Caracas, o que reforça a popularidade de Chávez. "Fidel Castro pode ter 80 anos, mas continua a tomar medidas estratégicas", diz Phil Peters, do Lexington Institute. A economia cubana cresceu mais de 8% nos últimos 18 meses. A falta de uma informação concreta sobre o estado de saúde de Fidel e de detalhes sobre o governo provisório de Raúl contribuem para o aumento da especulação que se iniciou na noite de segunda. "Não é para menos, o assunto é muito grave. Para que um país como esse produza uma cessão temporal de poder pela primeira vez na história, é porque as condições devem ser ruins", disse um diplomata europeu.
Esta matéria foi apurada no Scrapbook e escrita colaborativamente no Writely pelos alunos do minicurso "Técnicas Avançadas de Jornalismo Online".

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